07/10/2017

Irprindade

Ana Carolina Carvalho

Irprindade:. irmã(o)-prima(o)-amizade.
Tudo junto e misturado do jeito que tem que ser.
Memórias salvas com versões distintas que resultam sempre em boas risadas.
A diferença de idade que causava horror e um abismo na adolescência já não faz a menor diferença na idade adulta. Se conversa sobre tudo e muitas vezes os papeis se confundem - a mais velha vira mais nova e tudo bem nesse caso, pois nem sempre está tudo bem. As brigas existem, os "carões", os gritos, os "aff. de novo? sério..." , mas sempre desejando o melhor e buscando respeitar quem o outro é, se tornou, quer ser.
O que falar das baladas? Das arrumações na casa uma da outra, das madrugadas em claro, panelas de brigadeiro, programa de cajazeiras, saídas de casal, de vela...
Ter um laço de irprindade é ter certeza de uma vida bem vivida, ter família, sangue do seu sangue pelo mundo e que basta um sinal para correr para o seu lado.
É passar anos sem ver, mas isso não mudar absolutamente nada!
É ter colo, sossego.
É ter passeios, viagens.
É ter vários guarda-roupas.
É ter segurança de que mesmo que o mundo vire as costas existe um mundo particular repleto de amor.
É ter os melhores seguranças nas festas;
É ter que sair de muitas outras para evitar confusões;
É beber tequila e dançar funk até o chão;
É aprender com a coragem e ousadia;
É ter orgulho;
É se decepcionar;
É ir ao estádio e soltar o grito da alma e depois parar no espetinho da esquina, abrir aquela cerveja e fazer uma análise de como o time tá mal e partir pro samba;
É viver bem acompanhado durante toda a vida compartilhando sucessos, insucessos, medos, as brigas com os irmãos. É pedir conselhos e descartar um monte. É ir ao cinema e se afogar no chocolate. É ser silêncio e saber ser barulho. É dizer: EU TE AMO sabendo que a pessoa poderia lhe destruir a qualquer momento, mas que prefere, apensar de todos os conflitos e diferenças dizer: EU TE AMO MAIS.

03/10/2017

Ao meu ex-namorado (namorado anterior)

Ana Carolina Carvalho

É estranho escrever nessa condição para você; sem colocar nenhum apelido carinhoso como vocativo, te rotular de ex-namorado e fingir que eu não te suporto para meio mundo de gente. 

Foi complicado falar do nosso término e ouvir as pessoas dizendo que eu mereço coisa melhor. 

Desisti de comentar e estou te escrevendo para pedir desculpas. 

Nos expus e expus nossa história, principalmente a parte dos seus erros, sem nem lhe consultar. 

O relacionamento foi nosso e eu não tinha esse direito.

Depois que a raiva passou, que a poeira baixou eu pude voltar a enxergar, principalmente a me enxergar. A silenciar, a não querer falar e nem mesmo te odiar. 

É claro que eu não te odeio. Você foi parte da minha história. 

Dividi com você minha vida, minha intimidade, nos encaixamos perfeitamente de todas as formas e em todas as posições. Posso até ver você ficando corado ao ler a frase anterior. 

Você não mudou, mas o amor que sentimos sim. Ele transformou, mas isso não faz de você um ex. Faz de você uma experiência anterior. Isso me faz perceber que eu fui muito feliz com você e que aprendi sobre finanças, pão de alho, futebol e também sobre moda, afinal você sempre precisava de uma consultoria na hora de se arrumar.

Quero que você saiba que vamos nos afastar porque é uma consequência natural da vida, mas você vai poder contar comigo se precisar. 

Antes de ser seu amor eu fui sua amiga e amizade é um amor que nunca morre, portanto você sempre vai ter um lugar vivo no meu coração.

02/10/2017

Se permita um amor tranquilo

Ana Carolina Carvalho

Oi!
Que surpresa!
Enfim te encontrei.
Você tem razão. Fui encontrada.
Verdade. Havia parado de procurar.
(Suspiro profundo)
(Sorriso tímido)
(A mão dele sobe o queixo dela vagarosamente)
Eu fico envergonhada de olhar nos seus olhos.
Você é muito mais do que um dia eu busquei e é exatamente o encaixe perfeito. Não porque tudo fique bem acoplado, mas porque existe uma resiliência nata em nós. 
Temos vontade, queremos estar, ser juntos e isso é maravilhoso. 
Eu sei que é recíproco e que não foi sorte, foi merecimento. 
Nós nos merecemos, nos apoiamos, incentivamos e despertamos o nosso melhor. 
Atingimos a maturidade. 
Estamos juntos na hora certa. 
No nosso tempo. 
Do nosso jeito. 
O amadurecimento nos deu a oportunidade de ter um amor tranquilo.
Ainda bem...

27/09/2017

Ao mentir para o outro o primeiro enganado é você

Ana Carolina Carvalho


Bonito! Que Bonito!

Poderia parafrasear um dos casos de traição mais popular do País transformado em música, mas o texto não é sobre traição de relacionamentos afetivos/casais é sobre "traição" em qualquer relacionamento afetivo.

Que ingenuidade pensar que se engana o outro e que tristeza saber que antes engana a si mesmo. Trair é ser desleal e o que é a mentira senão uma deslealdade? A mentira é uma doença grave. Começa para encobrir algo simples, uma desculpa por medo da consequência da verdade. Quando percebe já se está criando histórias confusas que nem sabe mais o começo ou o final.

Quando se mendiga amor se é muito enganado, por vezes a pessoa que está na posição do bajulado, não tem interesse, mas não quer perder ou não quer "machucar" e inventa lá a mentira do sem tempo, do vamos nos ver...

Muitas vezes não há tempo e não é por falta de interesse são as urgências da rotina que sufocam, mas em alguns casos não há interesse, nem prioridade, nem vontade, nem nada!

Para que mentir sobre qualquer coisa que seja? 
Óbvio que em algumas situações é meio complicado falar a verdade.

Vamos pensar juntos: - estou gorda?

O que você responderia? 

Se for amiga(o) de verdade certamente vai dizer, com jeitinho, que a pessoa está um pouco acima do peso de antes... 

                                                                 e esse é o ponto:
                                                       NÃO É PRECISO MENTIR!

Calar é sinal de sabedoria. Mentir é sinal de desrespeito!

Não vale a pena mentir para agradar alguém e se violentar. 
Não vale a pena mentir porque a vida não é para ser de mentira.
Ela é a sua história e certamente uma fraude é pouco diante do que a realidade verdadeira e bem vivida pode oferecer.

19/09/2017

Idade é uma questão de alma

Ana Carolina Carvalho

Sempre tive medo dos 30 porque me venderam a ideia de que eu tinha que estar com tudo resolvido nessa idade, como já falei neste texto , mas é mentira. A idade está na alma; e ter amigos mais velhos me ajudou a ver isso.

Eu achava que pessoas com 40 anos eram "velhos em fundo de rede" termo pejorativo, mas foi assim que o mundo me criou (um engano terrível!). As pessoas mais velhas carregam consigo algo que me encanta e fascina: experiência e maturidade. Sim!! Existem exceções, pessoa novas muito maduras e pessoas mais velhas imaturas, mas é o passar dos anos que traz o acúmulo de experiências. 

Um parêntese - Meu vô tem 89 anos e está lutando há 80 dias em um hospital pela vida. Você tem noção do que é isso? Ele já caminhava lento, sentia dores, mas a alegria da alma dele sempre foi contagiante. - 

Não importa a idade cravada pelo ano que nascemos.
1988 - 29 anos ;
1949 - 68 anos;
O tão temido ano 2000, virada de milênio - já trouxe ao mundo filhos que possuem 17 anos. 

O tempo é aliado e não inimigo. 
É só saber como levar.
 
Qual a idade da sua alma? 
A minha tem 14 anos e quer comemorar os 15 na Disney, mas quando necessário sabe se impor com as experiências e bagagens acumuladas ao longo dos 29 anos.
 
Ter vergonha da idade é ter vergonha da sua própria história e das bagagens que carrega. As experiências ruins, que decepcionaram o ajudaram a ser quem você é. Se é ruim ser assim, mude! Tenha orgulho de quem você foi, é e ainda pode ser. A idade vem lembrar que o tempo passa e isso é bom. 
É sempre uma nova oportunidade.

05/09/2017

A receita surpresa

Ana Carolina Carvalho

Era uma mulher, 30 anos. A idade da mudança, da virada, o marco, a idade balzaquiana. Ela já havia lido o romance “A Mulher de Trinta Anos”, de Balzac, e mesmo ele tendo sido escrito no século XVIII para ela o livro era muito atual.

Solteira, fora dos padrões, atolada em livros e papeis em casa e no trabalho; recepcionista de livraria e também a responsável por organizar o estoque.

Da poesia à informática; conhecia de tudo um pouco nas horas de folga.
De muitos amigos; todos os clientes gostavam dela, era a mais sábia conselheira e leitora de orelhas de livros.

Um dia uma pisada diferente chamou-a atenção. Desengonçado, cadarços desamarrados, ele bateu na campainha do balcão.

- Moça, me ajuda, por favor. Só tenho essa quantia de dinheiro e preciso de um livro que soe inteligente para dar de presente ao meu avô.

A rima nas palavras dele a fez rir, discretamente, para não assustar o tão amável novo cliente.

Ela respondeu de bom grado:

- É claro que eu ajudo, mas antes amarre seu cadarço.

Ele também riu da rima e abaixou-se apressado. Andaram entre as muitas estantes, e conversaram sobre os livros e a vida. Pareciam se conhecer a muito tempo, durante toda a existência.

Pararam na sessão de culinária e acharam que seria um bom presente.

- Fazer comida requer muito amor, quer inteligência maior do que saber amar? , disse ela com o rosto ruborizado.

Ele atento aos sinais concordou de imediato e disse:

- Estou me sentindo mais  inteligente do que a 40 minutos atrás.

Eles riram juntos.

O livro de receitas foi embalado para presente. A livraria fechou mais cedo. O amor foi o prato principal daquela noite e de todas as outras em que permaneceram juntos.

13/08/2017

Nós somos reflexos de nossas escolhas

Ana Carolina Carvalho


Aprendo com o silêncio dele. 
Na verdade, a princípio, aprendo irritada e contrariada, depois vou me acostumando a observá-lo e entender o valor que o silêncio traz.
Enquanto ele observa o cenário ao redor eu o observo e imagino o que ele pode estar pensando; depois desisto. Deito ao lado dele e fico olhando o céu e refletindo como as pessoas são diferentes e como essa diferença agrega.
Por meio dele vivi experiências novas, algumas com um certo estranhamento e outras tantas que não quis sequer experimentar, não fazem parte do eu que eu escolhi ser. E imediatamente me vem isso a mente: nós somos reflexos de nossas escolhas e inevitavelmente abriremos mão de algo em um determinado momento de nossas vidas.

Ele me faz lembrar que eu abri mão de uma parte de mim que eu amava muito, mas que sofria muito também e sempre que ele "toca" no assunto algo em mim treme, como um bicho preso, faminto, enlouquecido para desbravar o mundo. 
Engulo a seco. 
Aprendo a ser silêncio. 
Muitas vezes não deve existir diálogo entre a pessoa e seus monstros. Não antes de estar ciente de que poderão ser amigos sem um dominar o outro.
No silêncio ele me ensina a ser mais eu.



© Podia ser cor de rosa • Ilustração por Juliana Rabelo Desenvolvimento com por