04/12/2016

O primeiro encontro após o término!

Ana Carolina Carvalho

Primeiro sentiu o cheiro, inspirou profundamente, quando olhou para o lado era ele. O coração quase saiu do peito em um ímpeto, mas congelou. O cérebro deve ter mandado algum comando surpresa do qual ele (o coração) não pôde se desvencilhar.

Ele a olhou também. Estavam na mesma seção de livros. Educadamente sorriu, perguntou se ela estava bem. Ela sorriu de volta, ainda congelada, e só balançou a cabeça em gesto afirmativo.
Ela estava linda. Radiante, esbanjando auto confiança e controle - o que era bem raro quando eram um casal. Já que as maiores discussões dos dois era a falta de controle e dependência dela.
Ele tentou começar uma conversa - ela não se sentia pronta para conversar; a vontade do louco coração era dizer que ele estava mais magro, que certamente parou de beber e fumar e começar a reclamar que ele devia ter feito isso enquanto estavam juntos e blá, blá, blá! - ela o olhou, sorriu e disse: - tenho que ir.
Ele respondeu: - Também estou de saída quer que eu te deixe em algum lugar?

Mentalmente ela respondeu: - Me deixar de novo? Não basta uma vez?, mas ao invés disso ela disse: - Obrigada. Não precisa.
Ele perguntou o motivo.
Ela respondeu: - Aprendi que amar é respeitar espaços.
Ele retrucou: - Você não vai desrespeitar o meu espaço, estou lhe oferecendo.
Ela sorriu e disse: Eu sei. Estarei respeitando o meu espaço. Aprendi que é preciso ser um para poder ser dois. Sei que uma carona não significa recaída, mas é melhor evitar. Preciso ir.
E foi, agradecendo ao cérebro ter congelado seu coração.

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1 comentários:

  1. Boa cérebro!
    Legal o jeito que descreve a história, adoro essa "locução".

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© Podia ser cor de rosa • Ilustração por Juliana Rabelo Desenvolvimento com por